terça-feira, 21 de setembro de 2010

Profissões: Relações internacionais forma cidadãos do mundo

A globalização está transformando relações internacionais em uma profissão com grande potencial de expansão, mas os interessados devem dominar diversos idiomas, ter facilidade para negociações e visão global.

Para especialistas da área, junto com a formação dos blocos econômicos e, consequentemente, o estreitamento das relações político-econômicas dos países, surge a necessidade de empresas, órgãos governamentais e entidades em geral terem profissionais gabaritados para trabalhar como um elo entre as instituições e o mundo.
O profissional de relações internacionais encontra um campo de trabalho bem consolidado em países desenvolvidos, mas, no Brasil, a carreira ainda dá os seus primeiros passos, com investimentos de corporações estrangeiras e a expansão das nacionais, como é o caso da Ambev, empresa resultante da fusão entre e Brahma e a Antártica que está expandindo seu mercado externo.
Apesar disso, os profissionais da área ainda estão buscando o seu espaço, e o índice de desemprego após a formatura é alto, como é o caso de Iana Cossoy, 22, que se formou pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), e hoje faz traduções para um portal de internet. "Já pensei em partir para o jornalismo", afirma ela, dizendo ainda que o curso é muito amplo, mas falta ligação entre as disciplinas.
Para alcançar um lugar de destaque, o estudante deve iniciar investimentos bem antes do seu ingresso na universidade. Dominar mais de um idioma é um deles.
"O inglês é pré-requisito. Sem a língua inglesa não dá para acompanhar o curso. Palestras, livros e pesquisa são feitas quase sempre em inglês", diz o ex-estudante da PUC-SP Ricardo Camargo Mendes, 24, que é analista de Relações Internacionais da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
O coordenador do curso de relações internacionais da PUC-SP, Reginaldo Mattar Nasser, afirma que, além do português e do inglês, o estudante deve dominar, no mínimo, mais um idioma, mas sem esquecer que um bom profissional é aquele atento a todos os acontecimentos mundiais. "Ter interesse em tudo aquilo que acontece em outros países, por meio dos meios de comunicação, é outro pré-requisito", afirmou o professor.
O chefe do Departamento de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília), Antonio Jorge Ramalho da Rocha, acredita que o curso ajuda o estudante a consolidar a capacidade crítica e a enxergar como um todo as situações de sua vida profissional e pessoal.
Os estudantes irão encontrar um curso multidisciplinar, com aulas de política, economia e direito internacionais, além de história e geografia.
Além da sala de aula, as instituições de ensino estimulam o intercâmbio entre alunos de instituições do Brasil e do exterior. Durante o curso, são realizadas simulações de negociações, quando os alunos discutem e defendem decisões tomadas por organizações internacionais como a OMS (Organização Mundial da Saúde), ONU (Nações Unidas) e OMC (Organização Mundial do Comércio).
"Todos os anos, alunos de vários países se reúnem e simulam uma reunião oficial destas organizações (...) estes exercícios são muito importantes para que sejam colocados em prática os conhecimentos teóricos da sala de aula", afirma o chefe do Departamento de Relações Internacionais da UnB.
Cuidado
O professor da UnB ressalta que, na hora de escolher a instituição de ensino, os vestibulandos devem tomar muito cuidado. "Existem muitos cursos denominados de relações internacionais, mas que, na verdade, são de comércio exterior", diz ele.
Rocha lembra ainda que, há seis anos, existiam apenas duas instituições que ofereciam o curso, mas hoje passam de 50. "Existem cursos que já foram notificados pelo MEC (Ministério da Educação) e que tiveram de reformular o currículo", afirmou.
Depois de formado, o profissional de relações internacionais estará apto a trabalhar em instituições comerciais e financeiras, tanto do setor privado como do público; ONGs (organizações não-governamentais) que defendam direitos humanos, ecologia etc; consultorias econômicas, políticas, comerciais ou jurídicas; além de organizações internacionais, como ONU, OMS ou OMC.
"No decorrer do curso, o aluno vai optar por disciplinas do seu interesse e assim já direciona sua área de atuação", diz o professor da UnB.
Novas opções
Para o vestibular 2002, os vestibulandos terão mais duas opções para cursarem relações internacionais no Estado de São Paulo: a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a USP (Universidade de São Paulo).
Na Unesp, o curso será ministrado na Faculdade de História, Direito e Serviço Social, que fica em Franca. No total, serão oferecidas 100 vagas (50 noturno e 50 no vespertino). Confira aqui mais informações sobre o vestibular da instituição.
No curso de relações internacionais da USP serão oferecidas 60 vagas, em período ainda a ser definido pelo Conselho Universitário, e será no campus da capital. Para obter mais informações sobre o vestibular da universidade clique aqui.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Apresentando...

Relações Internacionais

Promissor, o mercado de trabalho oferece inúmeras possibilidades para os profissionais desta área
O mais antigo curso de Relações Internacionais foi fundado em 1974 na UnB (Universidade de Brasília). A universidade fez seu curso com a grade curricular voltada basicamente para a diplomacia, com objetivo de dar apoio às embaixadas. O curso pretendia que os alunos egressos trabalhassem não apenas na diplomacia brasileira, mas dando apoio à toda aquela burocracia internacional que se instalou na capital. Nos anos 90, começou a expansão do curso para outras capitais.

Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em 2003, existem 55 cursos de Relações Internacionais espalhados pelo Brasil. O total de matrículas feitas foi de 10.225, contrapondo-se com o número de concluintes do bacharelado, 945.

"Eu diria que 80% dos alunos quando entram no curso querem ser diplomatas, esse número se reverte no final do curso, 80% deles não quer fazer diplomacia quando se formam. E por quê? Porque descobrem outras áreas de atuação, isso é muito freqüente", constata o coordenador do curso de Relações Internacionais daUnivali, Roberto Di Sena Júnior. 

As áreas de atuação para o Bacharel em Relações Internacionais são diversas. "Não existe apenas a diplomacia, que é trabalhar diretamente com o Itamaraty e com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), mas você tem funções em diversos outros órgãos públicos, sejam eles federais ou estaduais", explica Di Sena. 

O analista de comércio exterior é um funcionário que existe no âmbito do Ministério do Desenvolvimento, que trabalha junto com o MRE. Tem também assessoria internacional nos diversos ministérios. Existe o campo de trabalho nas empresas privadas: multinacionais, empresas de pequeno porte que querem se internacionalizar, assessoria privada. "Uma coisa é você ser contratado por uma empresa pra trabalhar exclusivamente no departamento de exportação e na prospecção de mercado internacional, outra coisa é montar uma consultoria e prestar esse mesmo serviço de forma avulsa", conta o professor.

Outro nicho bastante interessante são as organizações internacionais que mantêm escritórios no Brasil, por exemplo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Comissão Jurídica Interamericana. Existe a possibilidade de progredir e chegar à sede dessas organizações internacionais, seja ONU (Organização das Nações Unidas), OMS (Organização Mundial da Saúde) ou OMC (Organização Mundial do Comércio).

"E ainda existe a possibilidade de trabalhar na Academia, com pesquisa e desenvolvimento de projetos, que é uma área que tem demandando muitos profissionais com essa formação", esclarece Di Sena.

A maior parte dos egressos parte para a área de gestão na iniciativa privada. O salário inicial de um bacharel em Relações Internacionais está por volta de R$ 2.000 e as regiões do país mais promissoras para esse profissional, além do Distrito Federal, são Sul e Sudeste.

Se você se interessou por esse bacharelado, preste atenção nas dicas do professor Roberto Di Sena: "A demanda é por alunos que se interessam por História, Geografia, idiomas e temas internacionais. São alunos com uma visão um pouco mais globalizada dos acontecimentos ou das conseqüências desses acontecimentos internacionais para as nossas vidas".
Fonte:  www.universia.com.br