terça-feira, 29 de março de 2011

VIPs: ver ou não ver?

A estreia nacional desta sexta-feira (25) nas telonas brasileiras foi VIPs, longa-metragem baseado em uma história real estrelado pelo baiano Wagner Moura.
O filme acompanha Marcelo, um rapaz que não consegue conviver com a própria identidade e vive assumindo a dos outros. Isso faz com que ele passe a ter diversos nomes, nos mais variados meios, onde aplica seguidos golpes.

Um dos mais conhecidos é quando finge ser Henrique Constantino, filho do dono de uma empresa de aviação, durante um Carnaval em Recife.

Se você ainda está na dúvida se vale a pena ou não ver a obra, o R7 te ajuda a decidir e mostra quais são os prós e quais são os contras da produção dirigida pelo estreante Toniko Melo.

VIPs: por que ver? Por que não ver? Saiba aqui em nossa galeria.


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"Não posso colocar a culpa no câmbio", diz secretário do Ministério do Desenvolvimento

Não é incomum que ele pedale até o trabalho. Mas o gaúcho Alessandro Teixeira, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — o segundo na hierarquia —, não é um ciclista de ocasião. Disputa competições internacionais de Iron Man — 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de bicicleta e 42 quilômetros de corrida. Vai fazer o percurso em Florianópolis, em maio, e no Havaí, em outubro. 

A preparação o faz acordar às 5h30min para treinar das 6h às 8h15min. Entre 8h30min e 9h chega ao ministério para jornadas — mais longas do que a competição. No Iron Man, completa em 11 horas. No trabalho, a média chega a 12 horas. O fôlego de homem de ferro dá pique para renovar a estrutura, em sintonia com o ministro Fernando Pimentel, enquanto refaz três políticas — industrial, comércio exterior e comércio e serviços — que devem ser anunciadas em maio. 

Quinta-feira, antes da entrevista a ZH em Porto Alegre, Teixeira andava às voltas com declarações do ministro Guido Mantega de que um órgão ligado a seu ministério, o Inmetro, aplicaria barreiras técnicas a importados. Veja a seguir os trechos em que esclarece esses pontos e os em que garante não ter ambição de ser indicado para o Ministério das Micro e Pequenas Empresas, a ser criado.

Zero Hora — Barreiras técnicas podem ser adotadas para limitar importação de produtos de baixa qualidade?

Alessandro Teixeira — A qualidade não tem nada a ver com barreiras técnicas. O governo, por meio do Inmetro e da Anvisa, tem de fazer isso independentemente de querer reduzir importações. Tem de garantir qualidade e segurança dos produtos. Barreiras técnicas são vedadas pela OMC (Organização Mundial do Comércio). O Brasil não trabalha com barreiras técnicas para frear importações, o que seria ilegal. Uma coisa é exigir qualidade, padrão, metrologia, emissão de gases.

ZH — Haverá intensificação da defesa comercial?

Teixeira — Instrumentos de defesa comercial não podem ser confundidos com barreiras. A carne brasileira não entra em alguns mercados porque enfrenta barreiras fitossanitárias. Vamos ampliar o Departamento de Defesa Comercial para ter mais estrutura. Temos cerca de 20 pedidos para análise de dumping e aplicação de salvaguardas. A defesa não substitui o câmbio. Não vamos aumentar a exportação ou melhorar o perfil do comércio exterior pela defesa comercial.

ZH — Quais seus planos sobre o anúncio do Ministério das Micro e Pequenas Empresas, para o qual seu nome é cotado?

Teixeira — Não sei nada sobre o anúncio do ministério. Existe o projeto, é uma promessa de campanha da presidenta. Mas em nenhum momento cogitei minha saída. E não é questão de cargo, é o que gosto de fazer. É a área em que sempre me preparei para trabalhar. Se for chamado para outra missão, não vou recusar.

ZH — E como se enfrenta a questão cambial, crucial para o comércio exterior?

Teixeira — Não se trata de esquecer o câmbio, mas temos de fazer política independente disso. Atrapalha, mas não é maléfico como um todo. O real está valorizado porque a economia vai bem. Poderia ser melhor, mas não posso colocar toda culpa no câmbio porque não é verdade.

domingo, 27 de março de 2011

Daniel solta a voz e se anima bastante com o videokê


Na noite desta sexta-feira (26), Daniel atingiu um importante objetivo no Big Brother Brasil 11: após três dias de disputa, ele levou a melhor na última prova do líder do reality e se garantiu na final do programa.
Após o término do desafio pela liderança, ele e os demais competidores ganharam uma noite de animação que incluía até mesmo uma máquina de videokê que fez a alegria geral na casa. Daniel, que estava esperando sua vez de cantar, ficou gritando e dançando enquanto tomava seu drink.
Completamente de bom humor – obviamente – , o administrador pernambucano mostrava toda a sua alegria em estar na final do BBB 11. Com isso, mais do que qualquer outro participante, ele está bem perto do grande prêmio de R$ 1,5 milhão.
Durante sua trajetória no programa, o brother já foi três vezes líder, duas vezes anjo e duas vezes emparedado. Aliás, sempre que esteve na berlinda, Daniel foi o menos votado pelo público. Portanto, ele se credita como um forte competidor até o momento.
Diana, Maria e Wesley, por sua vez, mesmo estando no paredão, não demonstram desanimação com a festa. Estão todos cantando, com muito bom humor, curtindo aquele que poderá ser o último dia deles na casa mais vigiada do Brasil.
Um deles será eliminado na noite deste domingo (27) e, enquanto o resultado final não é anunciado por Pedro Bial, você pode conferir as parciais na enquete do R7!

Problemas nos preparativos para Copa 2014 e Olimíadas de 2016 levam sociedade a se perguntar se país vai melhorar vida dos brasileiros

RIO - Se o Brasil é o país onde o futuro já chegou, como definiu Barack Obama, os preparativos para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 são sinais de um incômodo retrocesso. Quase quatro anos depois de ter assegurado o direito de organizar o Mundial e a alguns meses do segundo aniversário da vitória da candidatura olímpica, o Brasil do discurso e o da prática seguem desalinhados. Um fala em desenvolvimento e mudança. O outro desnuda o atraso, alerta para os custos elevados, a ineficácia dos órgãos públicos e uma participação da sociedade nas decisões à beira da inexistência que a faz se perguntar se a chance de transformar a vida do brasileiro comum terá escorrido pelo ralo político ao fim dos Jogos do Rio.
- Vamos realizar tanto a Copa como as Olimpíadas com eficiência, mas isso não significa que estejamos sabendo aproveitar da melhor forma essa janela de oportunidades - responde o economista Sérgio Besserman (foto), que, como carioca, vê nos eventos a oportunidade de consolidação da marca do Rio por décadas, mas se mostra ressabiado com a qualidade do legado que a cidade terá. - É preciso aplicar conhecimento nesse objetivo.
Atrasos x custos
O temor de Besserman é também o de atores de diversos segmentos que acompanham com atenção os dois processos. Primeira no cronograma, a Copa do Mundo é um sonho aflitivo. Após a severidade do relatório de fevereiro do Tribunal de Contas da União (TCU), que condenou atrasos em obras de estádios, infraestrutura e a lentidão do Ministério do Esporte na entrega das matrizes de responsabilidade para intervenções em portos e aeroportos, o planejamento do evento e sua execução foram novamente postos em xeque.
Os custos, bancados na maioria dos projetos pelo governo federal, exigem atenção. Treze meses após a divulgação do orçamento para construção e reforma de estádios, os valores de cinco deles - Mineirão (Belo Horizonte), Fonte Nova (Salvador), Maracanã (Rio), Arena da Amazônia (Manaus) e Cidade da Copa (Recife) - já estão 57,6% mais caros, de acordo com cálculo feito pelo GLOBO com base em dados originais fornecidos em janeiro de 2010 pelo ex-governo Lula. Saltaram de R$ 2,6 bi para R$ 4,1 bi. Nos casos de cidades como Manaus e Cuiabá, a sombra dos elefantes brancos tende a crescer à medida que a areia escorrer pela ampulheta.
- O que houve no Estádio Mané Garrincha depois daquele Brasil e Portugal de dezembro de 2008? - indaga Gil Castelo Branco, fundador e secretário geral da ONG Contas Abertas, lançando luz sobre o estádio de Brasília, outra obra faraônica de R$ 671 milhões.
Por mais transparência
Criado pela Controladoria Geral da União (CGU) como instrumento de controle social dos investimentos públicos, o site Copa 2014, hospedado no Portal da Transparência, é uma iniciativa que ainda não presta o serviço a que se propõe. Sua desatualização fere o princípio da transparência, ainda visto pelo Estado mais como inimigo do que aliado. As planilhas de execuções orçamentárias e prazos da reforma do Mineirão são um bom exemplo. Sobre aquela que é considerada a obra mais avançada, a última atualização de valores contratados e executados é de 6 de agosto do ano passado. A responsabilidade de repasse das informações é dos órgãos envolvidos - Ministérios do Esporte, Turismo, Cidades, e BNDES, governos estaduais e municipais - que não têm encaminhado os dados no prazo previsto pelo decreto presidencial assinado pelo ex-presidente Lula.
- Já conversei com o Orlando Silva. É o ministério do Esporte que centraliza esse processo - explica o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage.
Orlando Silva é evasivo ou nada diz sobre os atrasos. Para ele, a transparência está a caminho, com a criação de escritórios onde equipes ligadas à pasta passariam a fazer o monitoramento dos dados:
- Queremos ter equipes em cada cidade-sede para tornar a atualização frequente.
Mobilidade urbana
O olhar intruso, às vezes, é mais revelador. Em apenas um fim de semana, Obama identificou problemas e uma oportunidade. Firmou um acordo pelo qual os americanos passarão a auxiliar o Brasil na realização da Copa e dos Jogos. Já sua visão de que a governança já deixou de ser uma pedra nos caminhos do país rumo ao desenvolvimento soou como mero exercício de diplomacia. Com eleições municipais em outubro de 2012, a possibilidade de que projetos referentes aos megaeventos esportivos virem tema de discussão política, atrasando-os e os encarecendo, nunca pode ser desconsiderada.
- O diálogo entre as esferas é fundamental, mas em época de eleição tudo vira motivo de polêmica - afirma Gil.
Após longo período de inanição na questão da mobilidade urbana sustentável, o Brasil se vê diante de uma oportunidade histórica para mudar o panorama. As exigências da Fifa por projetos como metrôs, VLTS e BRTS jogam a favor da melhora da circulação nas áreas metropolitanas. Apesar da tradição de Salvador de não conduzir bem obras grandiosas, o projeto de BRT da cidade pode trazer benefícios significativos para a capital baiana. Já o de Brasília fará atendimento mais qualificado em relação ao que hoje atende às cidades satélites.
- Não queremos que o Estado mostre capacidade de gerar eventos, mas legado - avisa o coordenador do escritório de Brasília da Agência Nacional de Transporte Público (ANTP), Nazareno Stanislau Afonso. - Nosso interesse é operar o que já foi feito, não dá mais para abrir discussão.
Crítica à falta de debate
A falta de debate sobre os projetos, porém, é o que mais tem incomodado o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Sérgio Magalhães, membro do Conselho de Legado das Cidades, criado pelo prefeito Eduardo Paes para tratar da herança olímpica. Na visão dele, a ausência de discussão pela sociedade tem induzido a decisões centradas, autocratas, poucos transparentes, que ignoram a identidade cultural e a representatividade coletiva de cada cidade-sede, indo na contramão da tendência nas principais metrópoles mundiais.
- Os eventos deveriam gerar debate, de onde surgem as melhores propostas - diz, citando o concurso público do Porto Olímpico, que selecionou 87 entre os mais de mil projetos inscritos. - Decisões importantes não podem ficar restritas a um administrador, por melhor que ele seja.
Veja entrevista com Besserman:
O que podemos ganhar de melhor com a Copa e as Olimpíadas?
SÉRGIO BESSERMAN: O maior legado para o Brasil e para o Rio de Janeiro, em particular, é a valorização da marca. Vale mais do que os equipamentos e as transformações estruturais que vão acontecer.
O que pode acontecer de melhor para essa valorização?
SÉRGIO BESSERMAN: A marca do Rio é ligada à sustentabilidade. Esse desafio é expresso pelo Rio, com suas coisas boas e ruins. Se a agenda do planeta é essa, a cidade e o país devem caminhar nesse sentido. Os olhos do mundo estarão voltados para cá. Acredito que faremos os eventos com eficiência, mas não sei se seremos capazes de trabalhar com um grau de satisfação para o que é mais valoroso no século XXI. Vai depender dos governos, do empresariado, da sociedade.
Os projetos estão de acordo com esta realidade?
SÉRGIO BESSERMAN: De modo geral, atendem a certificados estrangeiros, poucos possuem adicionais, mas precisamos apresentar projetos que incluam algo originalmente brasileiro. Isso é mostrar o algo mais, fazer marketing com "M" maiúsculo. É não se propor a fazer eventos nota sete. Temos de buscar a nota dez.
A participação da sociedade não deveria ser mais efetiva?
SÉRGIO BESSERMAN: A afirmação da marca também depende disso. Não é possível fazer eventos extraordinários sem o engajamento da sociedade. É preciso que a população se sinta mais dona da Copa do Mundo, das Olimpíadas... Há atores engajados, que cobram, fiscalizam, fomentam discussão. O Brasil está emergindo, mas tem uma governança atrasada. Isso não significa uma crítica a esse ou àquele partido, é uma questão histórica, que torna difícil a realização de um trabalho sofisticado de valorização da marca.
A transparência dos processos não lhe parece fundamental?
SÉRGIO BESSERMAN: Temos de buscar a nota dez em transparência não só para garantir a boa gestão de recursos, mas para a valorizar a marca. Temos de buscar essa luz sempre. E acompanhar o andamento dos processos amigavelmente, com cidadania.
O que pensa sobre o financiamento público das obras?
SÉRGIO BESSERMAN: Como economista, acho uma pena. O negócio é bom, capaz de atrair investimento privado, e a competição gera um produto melhor. Com o tempo, seria interessante viabilizar maior presença do capital privado, nacional e estrangeiro.

Governos estaduais são contra reforma tributária, diz ministro do Desenvolvimento

s governos estaduais impedem a reforma tributária no Brasil porque ela foca o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), afirmou nesta segunda-feira (21) o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior , Fernando Pimentel.
- Os governadores legitimamente reagem a isso porque anteveem uma perda de receita, caso as regras do ICMS sejam mudadas. Mas eu acho que isso tem que ser superado porque não é bom conviver mais tempo com o sistema tributário atual, que tem 27 legislações diferentes sobre o mesmo imposto. Então, isso vai ter que mudar. 

O ministro lembrou que existe hoje no Congresso é um projeto de lei para a unificação da legislação sobre o ICMS, reduzindo as alíquotas para apenas cinco tipos e diminuindo muito a possibilidade de os Estados modificarem a alíquota para fazer guerra fiscal. 

- Se isso prosperar, já é um grande passo, já que existem dificuldades constitucionais, já que a legislação do ICMS, pela constituição, é estadual. 

A carga tributária brasileira é motivo de preocupação para o governo federal e, por isso, as mudanças na forma de cobrança de tributos deverá começar ainda no primeiro semestre e deverá ocorrer de forma gradativa, de acordo com o ministro. As desonerações não estão descartadas, segundo o ministro. 

- A folha de pagamento é um item fundamental e está sendo considerado pelo governo para ser desonerado. A mudança seria gradual, mas não necessariamente nesta ordem. Podemos primeiro mexer no imposto de renda para pequenas e médias empresas, depois irmos para a folha. Isso está sendo estudado. Também não sei se o prazo será esse [primeiro semestre de 2011].
O que muda na sua vida 

Se o governo federal reduzir o volume de impostos que as empresas pagam para o Estado, sobra mais dinheiro para aplicar em investimentos na infraestrutura e na produção das fábricas. Isso significa mais contratações e, por conseqüência, redução no nível de desemprego

sábado, 26 de março de 2011

Comércio no Mercosul cresce nove vezes em duas décadas de vida do bloco

São Paulo – Ao completar 20 anos, neste sábado (26), o Mercosul continua a ter debates acalorados em torno das questões econômicas, mesmo com o comércio tendo crescido cerca de 860%, ou nove vezes, em duas décadas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Nascido no momento em que a América do Sul experimentava o avanço das ideias neoliberais, o bloco mudou de cara. Deixou de ser meramente comercial e cresceu em escala, mas ainda é alvo de intensas discussões.


Problemas de protecionismo excessivo e desacordos acerca da união aduaneira e tarifas comuns surgiram, porém, para alguns especialistas são sinais normais dentro de qualquer bloco econômico. Quem defende a posição é Fernando Sarti, professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"São normais os contenciosos comerciais que apareceram, sobretudo em momentos de crise econômica em determinado país. Então, mesmo olhando sob esse ponto de vista, mostra que não foi sempre esse céu de brigadeiro, mas eu diria que do ponto de vista comercial, é um processo exitoso." Para o professor, 20 anos para formação e consolidação de um bloco é um período curto. Ele cita o Tratado de Roma, marco fundador da União Europeia, que já tem mais de 50 anos e ainda sofre com períodos de crise nas negociações.

Comércio Brasil - Mercosul



Evolução do comércio brasileiros com demais países do bloco econômico


anoexportaçãoimportaçãocorrente comercial
1991US$ 2,3 bi US$ 2,2 bi US$ 4,5 bi
 2010 US$ 22,6 bi US$ 16,6 bi US$ 39,2 bi
Fonte: Secex/MDIC
Para Sarti, o Mercosul proporcionou um salto importante na credibilidade e na estrutura produtiva da região.


Antonio Simões, subsecretário-geral da América do Sul do Itamaraty, acredita que em 20 anos o Mercosul alcançou um crescimento muito expressivo. Ele cita a corrente comercial entre os países, que aumentou drasticamente, alcançando US$ 40 bilhões. "Para que se tenha uma ideia, o comércio do Brasil com os Estados Unidos chega a US$ 46 bilhões", compara.

Para a professora de Relações Internacionais Miriam Gomes Saraiva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), uma das maiores lacunas deixadas pelo Mercosul nos seus 20 anos foi a não adoção do modelo de economia em escala, ou seja, a divisão do processo industrial em que cada parte da produção pudesse ser feita em um país. Segundo ela, para o comércio do Brasil isso não seria de tanta importância, mas havia certa expectativa para os países menos industrializados.

Posição brasileira

A parte que coube ao Brasil nos acordos comerciais e políticos teve destaque e representou grande peso nas contas comerciais do país. De 1991 a 2011 as exportações brasileiras para os países do bloco cresceram cerca de dez vezes,  embora o debate sobre o protagonismo do Brasil na condução e no papel do bloco siga em discussão.


Samuel Pinheiro Guimarães, alto representante-geral do Mercosul, disse em entrevista à Rede Brasil Atual que os investimentos dos outros países no Brasil aumentou, assim como aumentou também o de outros países com o Brasil. Ele afirma que o Brasil não está à frente de nada no Mercosul. O país, segundo Guimarães, obteve protagonismo por razões óbvias, como o tamanho de território e a atual posição da economia brasileira.

"Tudo isso tem montado uma rede de interesses econômicos muito grande entre os países do Mercosul. Os esforços na construção da infraestrutura, de estrada, de integração energética, como na questão política com o Parlasul, resultam nos entendimentos de todos os países", pondera o embaixador.

Fernando Sarti segue a mesma linha de entendimento de Guimarães. Para o professor, a posição do Brasil no cenário internacional cria um sentimento de credibilidade importante a qualquer tipo de negociação, seja entre os sócios do Mercosul ou com outros blocos econômicos.

Ele lembra, também, que o Mercosul não impede que o Brasil mantenha uma agenda bilateral com outros países. "O Brasil como a mais importante economia dentro do bloco só acrescentou, tanto para os países membros, como para o próprio Brasil".

Focem

Outra iniciativa do Mercosul criada em junho de 2005 foi o Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O Fundo tem como objetivo financiar projetos para melhorar a infraestrutura das economias menores e regiões menos desenvolvidas.


Para Luiz Augusto Faria, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Mercosul teve êxito nos mecanismos que possibilitaram minimizar diferenças e assimetrias entre os quatro países. Ele explica que a consolidação de programas que beneficiam Paraguai e Uruguai, principalmente, será decisivo se o Mercosul quiser chegar efetivamente ao mercado comum.

Entre os projetos do Focem, está o programa de "fortalecimento de comunidades locais com projetos de economia social". Aplicado no Uruguai, oferece cursos de capacitação de trabalhadores, concessão de crédito e fomento à empregabilidade, com o objetivo de diminuir as taxas de desemprego das regiões mais carentes do país.

"Neste período (de problemas bilaterais), a economia mundial teve altos e baixos, mas conseguimos um avanço muito positivo. Um passo muito simbólico foi a criação do Focem, que ajudou muito os países menores. É importante para mostrar que não é só um ganho comercial, que tem uma ajuda às economias mais frágeis", observa o ex-chanceler Celso Amorim.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cruzeiro assina contrato com a Rede Globo com duração de quatro anos

Depois de GrêmioGoiás e Coritiba, o Cruzeiro se tornou nesta segunda-feira o quarto clube a oficializar que assinou contrato com a Rede Globo pelos direitos de transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro. O clube mineiro fechou com a emissora pelos próximos quatro anos (de 2012 até 2015).
Nota oficial divulgada pelo clube ressalta que há uma cláusula em que as partes se comprometem a manter os valores do negócio em sigilo.
Veja a nota oficial do Cruzeiro
O Cruzeiro Esporte Clube acertou a renovação de contrato dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro com a Rede Globo. O novo compromisso vai ter a duração de quatro anos e começa a vigorar em 2012. Respeitando uma cláusula de confidencialidade entre as partes, os valores não serão divulgados.

domingo, 20 de março de 2011

Aguinaldo Silva: ‘Vocês vão ter que nos engolir’

Rio - Aguinaldo Silva é um trabalhador assumido. Consegue, ao mesmo tempo, escrever a série ‘Lara com Z’, que estreia dia 7 de abril; dar suas opiniões em seu site; postar mensagens no Facebook; planejar a nova novela ‘Fina Estampa’, com lançamento previsto para setembro deste ano; supervisionar ‘Laços de Sangue’, co-produção da Globo com a portuguesa SIC, e ainda inaugurar o restaurante Brasileiríssimo em Portugal. Se pensa em largar tudo? “Trabalho 18 horas por dia, só paro quando estou dormindo. É como já disse: só vou parar de trabalhar e encher o saco de vocês no dia da minha morte”. Em conversa com Telenotícias, ele fala um pouco de tudo. Confira!
Foto: Divulgação
“O sexo ou o namoro pode se tornar um vício mais perigoso e mortal que o tabagismo” | Foto: Divulgação
Por que ‘Lara com Z’? “Na verdade é uma brincadeira com ‘Liza com Z’, o título de um especial de TV de Liza Minelli que virou um clássico”.
Por que dar continuidade a ‘Cinquentinha’? “Simples: foi o primeiro seriado realmente com linguagem de seriado feito no Brasil. O resto é sitcom, linguagem que já ficou para trás há muito tempo, ou ‘private joke’ de atores e diretores que se acham engraçadíssimos”.

Você vai escrever mais duas temporadas de ‘Lara? Já tem a ideia na cabeça? “Claro, quando você começa a escrever um seriado — eu digo profissionalmente, como é o caso de ‘Lara com Z’, e não amadoristicamente, como em geral se faz no Brasil —, você já sabe para onde vai nos próximos três anos. É só receber o sinal verde, sentar o rabo diante do computador e mandar bala”.

‘Lara’ é sua melhor série? “Sim, porque é a de linguagem mais apurada e de tramas mais sofisticadas e complexas. É também a mais bem escrita”.

Você é perfeccionista. Fez muitas mudanças em ‘Lara’? “Cada episódio foi lido, relido, ‘trelido’ e sofreu modificações a cada releitura, pelo menos cinco vezes. E se não tivesse prazos a cumprir ainda estaria mexendo no texto”.

Em que Lara vai chamar atenção?“A luta pela sobrevivência sem perder a excelência. Lara é exemplar porque ilustra à perfeição essa bendita teimosia de algumas pessoas idosas, que se recusam a fechar a cortina e sair do palco da vida. Lara vai ser uma estrela até morrer, assim como Susana Vieira vai representar até morrer e eu vou escrever até morrer. E vocês vão ter que nos engolir!”.

Susana Vieira faz a protagonista da série, que tem 35 anos. Na vida real, a atriz tem 67. Como vai convencer o telespectador?  “Meu Deus, por que vocês insistem em se enganar e sempre contra a Susana? Em ‘Lara’, a protagonista é uma mulher de 67 anos, que aparenta 50 e poucos e, numa peça de teatro, vive uma personagem de 35. Desde ‘Cinquentinha’ que Lara revelou sua verdadeira idade e é a mesma da atriz que a vive, 67 anos”.

Susana também vai estar em ‘Fina Estampa’? “Se eu começar a dizer que ela está e qual é a personagem, ela já entra de cabeça. Deixa primeiro as gravações de ‘Lara’ terminarem”.

Prefere novelas ou séries? “O que vier eu traço. Novela dá mais prestígio, mais dor de cabeça e me proporciona participar de uma série infindável de discussões e barracos, coisas que adoro. Seriado é mais produto de laboratório, pensado e repensado”.

Qual a dificuldade na escalação de elenco? “Escolher os atores certos e descobrir se eles estão disponíveis”.

O diretor Wolf Maya diz que você tem uma visão despudorada e anárquica e isso gera uma intimidade com o público. O que acha? “Perfeito. Sou despudorado e anárquico como é o brasileiro. Na minha primeira cena, o telespectador já sabe para onde eu vou e do que estou falando. É como se eu piscasse o olho para ele. Resumindo: sou um autor popular”.

Beatriz Segall será vilã. Vai superar Odete Roittman?  “Não há comparação. Odete Roittman era personagem de novela e tinha espaço para mais maldades. Maria Beatriz é marcante, mas vai aparecer no horário das 23h30, o que já a coloca em desvantagem em relação à outra”.

Já teve problemas com a censura? “Na época em que a censura era ostensiva (durante a ditadura), tive frequentes problemas. Agora, que existe a classificação por faixa etária, que é uma forma disfarçada de censura, também tenho problemas. Em ‘Duas Caras’ tive que tirar uma trama inteira no espaço de um capítulo ou a novela seria reclassificada para as 22h”.

De onde tira tanta inspiração? “Da vida, em primeiro lugar, e depois da leitura dos jornais. E eu serei sempre grato a vocês, jornalistas, por causa disso”.

‘Fina Estampa’ abordará que temas? “Vou falar apenas do tema principal: o que é mais importante num ser humano, a aparência ou o caráter? Trocando em miúdos: o que é melhor, você ter peitinhos pequenos e ser decente ou ter dois balões de silicone e armar as maiores baixarias?”.

Quem será a substituta de Juliana Paes? “Não tem essa de substituta. Se fosse a Juliana seria uma personagem, se for a Carolina Dieckmann será outra”.

Você gosta de criar polêmicas. Já criou inimigos? “Tem uns caras aí que vivem querendo me capar. Alguns já morreram, outros estão caquéticos. Mas eu nunca falo o nome deles, apenas desejo que tenham uma boa morte. E que nunca brochem”.

Na intimidade também é crítico?“Se eu fosse tão crítico na rua quanto sou em casa a turma já tinha me linchado há muito tempo”.

Continua sem gostar de namorar? “A obsessão pelo sexo, que geralmente acomete pessoas ricas e poderosas, acaba por desviá-las do fulcro principal: continuar sendo ricas e poderosas. O sexo — ou o namoro, pra sermos mais discretos — pode se tornar um vício mais perigoso e mortal que o tabagismo. Hoje em dia, o ‘namoro’, na minha lista de preferências, está em 18º lugar, muito abaixo, por exemplo, da necessidade que sinto de ir à missa de vez em quando”.

É vaidoso? “Vaidosésimo. Quando escrevo que sou sexy, gostosão e lindo, é porque acredito piamente nisso. Faço exercício, massagens, dietas, uso os cremes todos de ultimíssima geração que custam verdadeiras fortunas. Sou como Lara com Z: tenho 67 anos, mas aparento 48 e, com a iluminação ideal, posso até fingir que tenho apenas 35”.

É a favor das cirurgias plásticas? “Sou, mas nunca fiz. Morro de medo!”.

Tem algum sonho de consumo? “Sempre quis ter um Jaguar. Mas quando penso que vou ter que passar com ele por entre aquelas favelas da Linha Vermelha, aí me bate uma tristeza...”.

Nas horas de folga o que curte fazer? “Ver filmes (sempre no DVD, nunca no cinema, detesto ver aquela gente comendo barris de pipoca e tomando refrigerante), vou ao teatro, janto com amigo... Levo uma vida caretíssima! Mas nunca fico mais de três dias na mesma casa (tenho cinco)”.

Gosta de cozinhar? Quais os seus pratos preferidos? “Adoro. É minha terapia. Faço qualquer coisa, mas os meus risotos e frutos do mar são famosos na minha roda de amigos”.

Como foi a inauguração do Brasileiríssimo? “Por enquanto o restaurante está funcionando em regime de ‘soft openning’. Só quando eu chegar lá é que vai haver a inauguração oficial”.